Emagreci e agora?

 “Emagreci e agora? Como fica a autoestima e a imagem do paciente após a cirurgia bariátrica?”.

Participaram do programa semanal da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) o cirurgião bariátrico de São Paulo, Alexandre Elias; a cirurgiã bariátrica de Minas Gerai , Galzuinda Maria Figueiredo Reis e a psicóloga que atua na área de obesidade, Michele Pereira.

De acordo com a psicóloga,  cada paciente tem uma percepção do próprio corpo.”Tem a forma como ele pensa, sente, as crenças e os valores em relação ao próprio corpo. No pré-operatório ele tem uma imagem definida que pode mudar ou não no pós-operatório”.

A cirurgia bariátrica Galzuinda, lembrou que o paciente passa por várias fases antes da operação. “Tem a indecisão, a apreensão e a expectativa da mudança da imagem. É importante oferecer informação e o cirurgião tem um papel fundamental nisso. Por mais que tenha uma equipe multidisciplinar trabalhando com o paciente, o cirurgião tem maior proximidade e precisa alertar sobre possíveis frustrações, como o excesso de pele após a cirurgia e também sobre as mudanças positivas que irão acontecer”, disse.

Michele contou que durante as consultas psicológicas, os profissionais buscam entender exatamente o que o paciente espera da operação. “Perguntamos de uma forma simples e completa para entender qual a imagem que ele tem do corpo e qual a expectativa que ele tem após a cirurgia”, disse. “É importante ele saber que tem toda uma equipe o apoiando em situações em que ele não se sinta bem e seguro, ele pode recorrer a equipe, ser acolhido. É preciso a aceitação de que a obesidade é uma doença”, afirmou.

Como melhorar a percepção

Alguns pacientes não tem uma imagem corporal concreta antes da operação. “Trata-se de uma imagem fantasiosa e o paciente entende melhor a obesidade quando ouve do especialista que precisa operar. A questão de reconhecer a obesidade como doença é muito cultural no nosso país, as pessoas ainda têm dificuldade para aceitar fazer uma cirurgia”, afirmou o cirurgião Alexandre Elias.

De acordo com a psicóloga, nem sempre a diferença apontada na balança é suficiente para a percepção de mudança do corpo após a operação. “É um processo que envolve memória e outros aspectos cognitivos, que faz com que o paciente vá trabalhando no dia a dia. A balança não movimenta tanto então nem sempre é a melhor aliada, mas a roupa que vai ficando larga e conquistas relacionadas à disposição, dor e desconforto vão mostrando ao paciente que está melhorando a situação do próprio corpo”, explicou.

Queda de cabelo

A falta de vitaminas após a cirurgia bariátrica pode resultar em uma queda temporária de cabelo. “Muitas mulheres apresentam medo de ficar careca”, lembrou Alexandre. Para a cirurgiã Grazluinda é necessário trabalhar a situação real com o paciente.“Temos que colocar que a perda de cabelo é um fator importante, mas esclarecer que é temporário para o paciente não sofrer com isso. E ter acompanhamento com dermatologista para amenizar essa queda durante a perda de peso”, disse.

Para Michele, o ideal é que o paciente não foque em apenas um aspecto do corpo. “Sempre direcionar para que o paciente veja o corpo como um todo, não pensar apenas na queda de cabelo, por exemplo”, pontuou.

Cirurgia  reparadora

É comum os pacientes bariátricos realizarem cirurgias plásticas reparadoras após a perda de peso, para retirar excesso de pele, por exemplo. “Dependendo da técnica, no pós-operatório, o paciente pode ter uma deficiência de ferro o que não torna recomendável a realização de várias cirurgias plásticas de uma só vez. No consultório aconselhamos fazer apenas um de cada vez devido ao risco de anemia, por mais que seja uma decisão do cirurgião plástico”, explicou a cirurgiã bariátrica.

As cirurgias reparadoras são, em muitos casos, a continuidade do tratamento clínico e pós-operatório dos pacientes bariátricos. O SUS oferece diferentes técnicas plásticas para os pacientes, como a abdominoplastia, mamoplastia – inclusive com fornecimento de prótese – entre outras.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.


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